Thursday, January 19, 2006

A VIDA DE UMA CIDADE

Na cidade
O cidadão
Trabalha na profissão
O calceteiro
Meio curvo
Embeleza o empedrador.
Sempre tão pobre
Coitado.
O empregado de café
A fazer de equilibrista
Vai e vem no mesmo pé.
O sinaleiro
Abre a mão
E manda o carro parar
Para o menino atravessar
O vendedor de lotaria
Canta a sorte
Dia a Dia
Na faina da sua vida
Cautela sempre perdida.
Onde houver uma impureza
Está o homem da limpeza
E entre papéis a voar
Restos do que ninguém usa
E fome de matar bicho,
Triste vida leva o homem
Que vive a apanhar o lixo.
Quase sem forças nas pernas
Passa a senhora Maria:
- Fruta fresca do pomar!
-Lá vai ela a apregoar.
Parado no cruzamento
O autocarro não comanda
Se o condutor não comanda.
E desde que o sol nasce
Até ir para outras bandas
Assim corre o formigueiro
Que enche as ruas da cidade
Por praças, largos e esquinas,
Travessas, recantos, escadas,
Por toda a parte se sente
Só resiste, porque há gente.
Estátuas, jardins, monumentos,
Parques, escolas, hospitais,
Não são prendas de almas boas.
A vida de uma cidade
Nasce de mãos das pessoas.

FERNANDO BENTOGOMES,AVENTURAS DO ESPANTALHO VOADOR,EDITIRIAL CAMINHO (ADAPTADO)

2 Comments:

Anonymous Anonymous said...

This comment has been removed by a blog administrator.

10:10 AM  
Anonymous Monica said...

DESCULPA NÃO CONCORDAR COM ISSO POIS O SITE ESTÁ MUITO GIRO E O MELHOR É TER MUITOS, E VÁRIOS TEXTOS PORTUGUESES E DE AUTORES PORTUGUESES MUITO BONS! E depois se dizes só a verdade diz quem és e não estejas com rodeios! Muitos Parabéns Ana!!

Monica 6ºA

12:39 PM  

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