Friday, January 20, 2006

PROVERBIOS DESPENTEADOS

PROVÉRBIOS DESPENTEADOS

O silêncio é de ouro...
(Não digo nada.)
A palavra é de prata...
(Escrevo um verso
E é menos tesouro...
...Fui enganada?)

Cão que ladra não morde...
Não pica ave que pia?
Arranha gato que mia?

Filho de peixe sabe nadar...
Mas se não souber
Inventa umas asas e
Aprende a voar ou
Afina a voz e põe-se a cantar
Pega na mala apanha boleia
Ou sai do provérbio e vai viajar!

Água mole em pedra dura tanto dá até que fura...
Mas tu és tão teimosa
Que o que digo não encontra
Na tua cabeça abertura.
Mais mole que água o meu sermão?
Pior que rocha essa razão?

Presunção e água benta cada qual toma a que quer...
Doces e sobremesas
Só me dão uma colher.
Sopa, legumes e fruta
Obrigam-me a comer.
Moral da história?
Não consigo entender!

Mais vale um pássaro na mão do que dois a voar...
Embora eu bem perceba
O sentido da lição
Prefiro dois a voar
A ter um preso na mão

Quem espera sempre alcança...
(Ou quem espera, desespera?)
Primeiro dizem que sim e
Depois dizem que não.
Eu que ainda sei tão pouco
Não sei quem terá razão.

Gato escaldado de água fria tem medo...
O que significa?
O meu gato explicou-me...
...Em segredo.

Quem casa quer casa...
Quem tem casa quer casar
Como a linda Carochinha
Só que o João Ratão morreu
Dentro do caldeirão
E a história começa e acaba
Com a carochinha sozinha.
Quem casa não devia querer
Uma casa com cozinha.

O seguro morreu de velho...
Mas muitos afoitos também
Não podemos viver sempre
Debaixo das saias da mãe...

Quem não arrisca não petisca...
Diz o outro destemido
Entre um e outro confessa

Estás, cora ção, dividido.

A AUTORA MARIA TERESA P. MARTINHO MARQUES

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